O partido de Drummond. Formidáveis palavras. Voltaire. A política, a paixão, a unanimidade…

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Carlos Drummond de Andrade se formando no curso de farmácia na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1926.

O partido de Drummond. Formidáveis palavras. Voltaire. A política, a paixão, a unanimidade…

De fato, o brasileiro trata a política com a mesma paixão – e com os mesmos erros – que o futebol.

Em tempos de eleição, não se discutem projetos de governo, de leis, de finanças ou de economia. Tenho para mim que a nossa história e a nossa falta de alfabetização constitucional causam uma grande confusão dos papéis dos agentes políticos.

Há uma mistura nada saudável entre o que deveria ser mudado por meio de leis e a administração de um país, bem como quais cargos dos agentes políticos deveriam fazê-lo.

Creio que subestimamos a importância dos Deputados e Senadores, pois não está claro – para a população em geral, enfim, todos nós – o que podem ou não mudar e quais são seus limites.

Há, no entanto, uma patrulha ideológica de todos os lados, a qual tem uma visão míope e reducionista do “se você não apoia X, então apoia Y”.

Acredito que alguém possa descordar de duas opiniões diametralmente opostas, não? Isso quer dizer que há opiniões diversas. Simples assim.

Voltaire (1694 – 1778), escritor francês iluminista, dizia:

“Posso discordar do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo.”

Nesse sentido, o texto de Drummond vem como um acalanto e uma verdadeira aula:

[O poeta e a política]
“Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? Estou preparado? Posso entrar na militância sem me engajar num partido?

Nunca pertencerei a um partido, isto eu já decidi. Resta o problema da ação política com bases individualistas, como pretende a minha natureza.

Há uma contradição insolúvel entre minhas ideias ou o que suponho minhas ideias, e talvez sejam apenas utopias consoladoras, e minha inaptidão para o sacrifício do ser particular, crítico e sensível, em proveito de uma verdade geral, impessoal, às vezes dura, senão impiedosa.

Não quero ser um energúmeno, um sectário, um passional ou um frio domesticado, conduzido por palavras de ordem.

Como posso convencer a outros se não me convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malícia, a crueza, o oportunismo da ação política me desagradam, e eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação política?”

(ANDRADE, Carlos Drummond de. O observador no escritório. Rio de Janeiro: Record, 1985, p. 31)

É isso. Cheers.

 

 

 

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Sobre ricardonagy

USP/PUC-SP. Bacharel em Direito PUC-SP. Pós-graduado em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado em Letras Inglês/Português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
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