Rousseau: 1712 – 2012. Tricentenário. A Legitimação da Desigualdade. Submissão do forte ao fraco. Artigo de Evaldo Becker.

“O primeiro que, tendo cercado um terreno, arriscou-se a dizer: ‘isso é meu’, e encontrou pessoas bastante simples para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, mortes, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado a seus semelhantes: fugi às palavras desse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos pertencem a todos, e que a terra não é de ninguém.” (ROUSSEAU, Oeuvres complètes, t. III, p. 164)

Em leitura de artigo de Evaldo Becker, Pós-Doutor em Filosofia pela USP. Professor e pesquisador no NEPHEM/UFS. E-mail: evaldob@usp.br; selecionei um trecho que chama muito a atenção e que tenho o prazer de citar aqui:

‘O objetivo do Segundo Discurso, como sabemos, é indicar no “progresso das coisas, o momento em que, o direito sucedendo à violência”, faz com que se submeta a natureza à lei; e o forte ao fraco.  Entendido aqui como forte o povo e como fraco os ricos, que viriam a dominá-lo sob o jugo da lei. Na célebre passagem em que Rousseau descreve o estabelecimento da propriedade privada, fica evidente a relação entre o estabelecimento da sociedade civil e o surgimento das guerras, das mortes, das misérias e dos horrores que passaram a acometer o gênero humano. É através do estabelecimento da propriedade e da legitimação da desigualdade que se estabelecem relações violentas de convívio no seio dos grupos recém-formados. A partir do momento em que a igualdade é desfeita origina-se a mais terrível desordem. É quando “as usurpações dos ricos, as pilhagens dos pobres, as paixões desenfreadas de todos, sufocando a piedade natural e a voz ainda fraca da justiça, tornaram os homens avaros, ambiciosos e maus”.

Foi então que:
“A sociedade em formação foi substituída pelo mais horrível estado de guerra: o gênero humano, aviltado e arrasado, não podendo mais voltar atrás, nem renunciar às infelizes aquisições que fizera, e trabalhando apenas para sua vergonha, pelo abuso das faculdades que o dignificam, colocou-se às vésperas de sua ruína.”(ROUSSEAU, Oeuvres complètes, t. III, p.176.)’ (Evaldo Becker, Pós-Doutor em Filosofia pela USP. Professor e pesquisador no NEPHEM/UFS. E-mail: evaldob@usp.br)

Após o excelente texto do doutor Becker, gostaria de, humildemente, referir-me a um post que escrevi sobre o assunto, abordando também a LEI DE TERRAS:

https://ricardonagy.wordpress.com/2010/12/27/rousseau-propriedade-e-desigualdade/

Cheers!

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Sobre ricardonagy

USP/PUC-SP. Bacharel em Direito PUC-SP. Pós-graduando em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado Letras inglês/português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
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